sexta-feira, 24 de setembro de 2010

EMERGÊNCIA * Luis Fernando Ver!ssimo


É fácil identificar o passageiro de primeira viagem. É o que já entra no avião desconfiado. O cumprimento da aeromoça, na porta do avião já é um desafio para sua compreensão. - Bom dia... - Como assim?... Ele faz questão de sentar num banco de corredor, perto da porta. Para ser o primeiro a sair no caso de alguma coisa dar errado. Tem dificuldade com o cinto de segurança. Não consegue atá-lo. Confidencia para o passageiro ao seu lado: - Não encontro o buraquinho. Não tem buraquinho? Acaba esquecendo a fivela e dando um nó no cinto. Comenta com um falso riso descontraído: "Até aqui, tudo bem." O passageiro ao lado explica que o avião ainda esta parado, mas ele não ouve. A aeromoça vem lhe oferecer um jornal, mas ele recusa. - Obrigado. Não bebo. Quando o avião começa a correr pela pista antes de levantar voo, é ele quele com os olhos arregalados e a expressão de Santa Mãe do Céu no rosto. Com o avião no ar, dá uma espiada pela jaela e se arrepende. É a última espiada que dará pela janela... Mas o pior está por vir. De repente, ele ouve uma misteriosa voz descarnada. Olha para todos os lados para descobrir de onde sai a voz. "Senhores passageiros, sua atenção, por favor. A seguir, nosso pessoal de bordo fará uma demonstração de rotina do sistema de segurança deste aparelho. Há saídas de emergência na frente, nos dois lados e atrás." - Emergência? Que emergência? Quando eu comprei a passagem ninguém falou em emergência. Olha, o meu é sem emergência. Uma das aeromoças, de pé ao seu lado tenta acalma-lo. - Isso é apenas rotina cavalheiro. - Odeio a rotina. Aposto que você diz isso para todos. Ai, meu santo. "No caso de despressurização da cabina, máscaras de oxigênio cairão automaticamente de seus compartimentos" - Que história é essa? Que despressurização? Que cabina? "Puxe a máscara em sua direção. Isso acionará o suprimento de oxigênio. Coloque a máscara sobre o rosto e respire normalmente." - Respirar normalmente?! A cabina despressurizada, máscaras de oxigênio caindo sobre nossas cabeças - E ele quer que a gente respire normalmente. "Em caso de pouso forçado na água..." - O quê?! "... os assentos de suas cadeiras são flutuantes e podem ser levadaos pra fora do aparelho e ..." - Essa não! Bancos flutuantes, não! Tudo, menos bancos flutuantes! - Calma, cavalheiro. - Eu desisto! Parem esse troço que eu vou descer. Onde é a cordinha? Parem! - Cavalheiro, por favor, fique calmo. - Eu estou calmo, calmissímo. Você é que está nervosa e , não sei por quê, está tentando arrancar as minhas mãos do pescoço deste cavalheiro ao meu lado. Que, aliás, também parece consternado e levemente azul. - Calma! Isso. Pronto. Fique tranquilo. Não vai acontecer nada. - Só não quero mais ouvir falar em banco flutuante. - Certo, ninguém mais vai falar em banco flutuante. Ele se vira para o passageiro ao lado, que tenta deseperadamente recuperar a respiração, e pede desculpas. Perdeu a cabeça. - É que banco flutuante é demais. Imagine só. Todo mundo flutuando sentado. Fazendo sala no meio do oceano atlântico! A aeromoça diz que vai lhe trazer um calmante e aí mesmo é que ele dá um pulo: - Calmante, por quê? O que é que está acontecendo? Vocês estão me escondendo alguma coisa! Finalmente, a muito custo, conseguem acalmá-lo. Ele fica rígido na cadeira. Recusa tudo que lhe é oferecido. Não quer o almoço. Pergunta se pode receber sua comida em dinheiro. Deixa cair a cabeça e tenta dormir. Mas, a cada sacudida do avião, abre os olhos e fica cuidando da portinha do compartimento sobre sua cabeça, de onde , a qualquer momento, pode pular uma máscara de oxigênio e matá-lo do coração. De repente, outra voz. Desta vez é a do comandante. - Senhores passageiros, aqui fala o comandante Araújo. Neste momento, à nossa direita, podemos ver a cidade de ... Ele pula outra vez da cadeira e grita para a cabina do piloto: - Olha pra frente, Araújo! Olha pra frente!

Livro: Mais Comédias para Ler na Escola

Autor: Luis Fernando Veríssimo

Ano da Publicação: 2008 Pág. 75-77

sábado, 18 de setembro de 2010

♥ Aos meus amigos ♥


Sabe aqueles momentos em que você simplismente não consegue descrever?! Não consegue traduzir em palavras, expressões, nem mesmo um texto seria suficiente pra demonstrar a grandeza desses certos sentimentos, momentos...
Ando refletindo muito sobre tudo e acabo de descobrir que a vida é algo surpreendente, capaz de provocar reações em você jamais esperadas. A psicologia afirma que você em grupo faz coisas que sozinho, jamais faria. E Eu decidi que eu quero viver a minha vida... Decidi que eu quero muito ser feliz e entendi que sozinha isso é impossível. Quero ter mais momentos com as pessoas que eu amo. Shakespeare diz em seu poema mais famoso - Eu Aprendi - "Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito cedo, ou muito depressa. Por isso, sempre devemos deixar as pessoas que verdadeiramente amamos com palavras brandas, amorosas, pois cada instante que passa carrega a possibilidade de ser a última vez que as veremos". Esse poema sempre me tocou muito por falar verdades tão claras, que as vezes nos recusamos a enxergar... Ele ainda fala mais uma coisa interessante: - as circunstâncias e os ambientes possuem influência sobre nós, mas somente nós somos responsáveis por nós mesmos.
E Eu podeira até complementar o poema do Shakespeare, baseada na psicologia, que eu aprendi que as coisas mais simples, feitas com as pessoas que amamos trazem um prazer, que com certeza não poderá ser descrito.
Aos meus amigos, eu quero dizer que vocês são imprescindíveis ao meu sucesso, ao meu bem-estar, a minha VIDA!
E antes que seja tarde demais, deixe-me dizer que AMO VOCÊS! E OBRIGADA por existirem em minha vida e fazerem dela algo BOM e INESQUECÍVEL!